A paulistana Maisa Intelisano é instrutora, pesquisadora e palestrante na área de mediunidade e espiritualidade, terapeuta transpessoal e de vidas passadas. É colaboradora do IPPB, além de escrever para as Revistas Espiritismo & Ciência e Revista Cristã de Espiritismo. Mantém o Fórum Virtual Mediunidade & Espiritualidade e é colunista do Portal Somos Todos Um.

MAISA INTELISANO (por ela mesma)

"Vivo e respiro espiritualidade, sem o que a vida não faz sentido para mim, e me sinto muito feliz por poder colaborar com o universo de esclarecimento espiritual".

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SINTONIA ESPIRITUAL NO DIA A DIA

MEDIUNIDADE & AUTOCONHECIMENTO

E POR FALAR EM FLORES...

EMANCIPAÇÃO DA ALMA: Sono, sonhos, viagem astral e sonambulismo I

EMANCIPAÇÃO DA ALMA: Sono, sonhos, viagem astral e sonambulismo II

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Sintonia é lei universal, é algo a que estamos sujeitos o tempo todo, dormindo ou acordados, trabalhando ou descansando, dentro ou fora do grupo mediúnico. É algo que, naturalmente, buscamos, o tempo todo, é atração entre os semelhantes, e no universo tudo é regido por ela.
Na natureza, a sintonia se dá por instinto, é automática, e não tem qualquer interferência de emoções, sentimentos ou pensamentos. No ser humano, no entanto, ela é diferenciada, por ser determinada pelas vibrações que ele próprio imprime ao seu redor, por meio dos seus próprios pensamentos e sentimentos.
Sempre que age, fala, pensa, deseja, tem idéias, toma decisões, tem impulsos, etc., o ser humano está, automaticamente, estabelecendo a sua própria freqüência vibratória e, ao mesmo tempo, emitindo suas energias nessa freqüência, para fora de si. E, depois de exteriorizada, a vibração já não é só sua, mas de todo o universo, para que encontre eco em vibrações semelhantes, pela lei da sintonia.
O ser humano pode, portanto, escolher o que pensar, sentir, dizer e desejar, mas, uma vez escolhido, já não poderá escolher como vibrar ou as energias que irá emanar, pois isso já terá sido determinado pelos seus próprios pensamentos e sentimentos, e estará totalmente fora do seu controle.
O segredo está, então, em saber pensar e sentir, em ter o controle sobre os próprios pensamentos e sentimentos, produzindo, assim, a vibração que se quer externar e, conseqüentemente, aquela com que se quer sintonizar.
É por esta razão que mudança de sintonia não se faz de fora para dentro, pois é impossível mudar externamente um padrão vibratório, uma vez que a origem da vibração é interna. A mudança tem que ser íntima, dentro de nós, na origem dos nossos pensamentos e sentimentos. E isso não pode ser feito por terceiros, não importa quem sejam, pois pensamentos e sentimentos somos nós mesmos que escolhemos.
Se plantamos sementes de limoeiro, não podemos colher tomates. Se escolhemos pensamentos e sentimentos ruins, não podemos esperar ter uma vibração boa. E se não temos vibração boa, pela lei da sintonia, não podemos esperar sintonia com outras vibrações boas.
Se a nossa sintonia não anda boa, se estamos nos sentindo cercados de energias densas, se o ambiente à nossa volta anda carregado, em vez de procurar, fora de nós, o que está causando todo esse desconforto, devemos buscar no próprio íntimo, bem lá no fundo, o que, em nós, está atraindo essas coisas, o que, dentro de nós, está vibrando na mesma freqüência dessas energias que insistem em nos perseguir.
Passes e práticas energéticas são muito bons, mas mudam apenas e temporariamente o nosso exterior, de modo que possamos ter uma trégua até podermos fazer mudança necessária. Mas, se o que vem de dentro de nós não for mudado, não haverá prática energética suficientemente boa que consiga nos ajudar e manter o nosso padrão vibratório elevado.
E se sintonia é algo a que estamos sujeitos o tempo todo, é importante que aprendamos a buscar melhores pensamentos e sentimentos continuamente, evitando julgar, criticar, condenar, reclamar, agredir, ofender e ofender-se, em qualquer situação, para evitarmos a sintonia com energias mais densas, geradas por pensamentos e sentimentos desequilibrados que estão por aí, em todos os lugares.
Se estamos harmonizados e serenos por dentro, isso se reflete, automaticamente, por fora, e cria, ao nosso redor, um campo energético que nos isola das energias mais densas, mesmo quando estamos completamente cercados por elas.
A energia não é boa, nem ruim. Como tudo o que Deus criou, é neutra e só se polariza pela ação dos nossos pensamentos e sentimentos, refletindo apenas aquilo que somos por dentro.

 Por Maisa Intelisano


Mediunidade é a capacidade de entrar em contato com outras consciências ou espíritos, encarnados e desencarnados, e transmitir-lhes o pensamento, os sentimentos, as idéias e as sensações, sob as mais variadas formas. E médium é todo aquele que tem esta capacidade, em maior ou menor grau. Embora haja outras variações para estas definições, muitas válidas, estas são as mais conhecidas e as mais relevantes para o assunto que pretendo tratar.
Captando e transmitindo pensamentos e sentimentos que vêm de fora de si mesmo, o médium trabalha, o tempo todo, com o que não é seu, com o que não lhe pertence e nem nasce dentro dele. Ele trabalha, principalmente, com os conteúdos de outras mentes que, aproveitando-se de sua capacidade, tentam se comunicar.
Uma das questões mais presentes nas pessoas que me procuram para o curso de mediunidade é como distinguir o que é seu do que é dos espíritos que se comunicam, como saber se o que está sendo transmitido não é conteúdo do próprio médium, e não das consciências ou entidades que se comunicam por intermédio dele, especialmente porque se sabe que mais de 70% dos médiuns hoje permanecem totalmente conscientes durante o fenômeno.
As entidades que se comunicam por um médium podem mudar e variar muito de um trabalho para o outro, sendo quase impossível prever com exatidão quem irá se comunicar a cada oportunidade ou que tipo de conteúdos surgirão a cada trabalho. E esta questão se complica ainda mais quando pensamos na sintonia, pois nenhum fenômeno mediúnico ocorre sem que haja uma boa dose de similaridade, de afinidade entre os conteúdos do médium e da entidade comunicante, para que as idéias transmitidas sejam melhor compreendidas e repassadas pelo médium.
Como saber, então, com segurança, o que é do próprio médium e o que vem da entidade? Como distinguir entre coisas, às vezes, muito parecidas, passando pelo mesmo canal? Além disso, como manter-se isento e imparcial nas comunicações, quando, muitas vezes, o que chega mobiliza o médium profundamente, tocando seus sentimentos e emoções de maneira mais intensa?
Só podemos distinguir coisas quando as conhecemos bem, quando as reconhecemos, quando as identificamos com certa facilidade. Não é possível, portanto, ao médium, distinguir os seus conteúdos dos conteúdos das entidades comunicantes se ele não conhecer algo desses conteúdos, para poder identificá-los, compará-los e separá-los adequadamente.
Não podendo controlar os conteúdos que lhe chegam, ao médium não resta outra opção a não ser trabalhar naquilo que está mais próximo dele, sobre o que ele tem muito mais controle e com o que está em contato 24 horas por dias, 7 dias por semana: ele mesmo, seus conteúdos, suas questões, seus padrões, sua luz e sua sombra.
Um bom médium, portanto, além de dominar o fenômeno e as técnicas, precisa conhecer a si mesmo em profundidade, precisa trabalhar constante e cuidadosamente o autoconhecimento. Um bom médium, antes de se entregar aos fenômenos, precisa saber quais são as suas próprias dúvidas e questões, as suas dificuldades e limitações, as suas qualidades e necessidades, para, só então, poder transmitir, com segurança, aquilo que lhe chega de outras mentes, por intermédio de sua própria capacidade de comunicação psíquica, sem o receio de estar misturando o que é seu com o que é de quem se comunica ou de estar interferindo na comunicação.
Por isso, sempre friso muito nos meus cursos que estudar e praticar mediunidade é, antes de tudo, um trabalho de autoconhecimento, um estudo interno profundo, que deve nos colocar cara a cara com tudo o que somos, com tudo o que sabemos e, principalmente, ainda não sabemos de nós mesmos.
Não entendo que seja possível ser um médium consciente, responsável e equilibrado se não houver autocontrole sadio das próprias emoções, se o médium não for capaz de olhar para si mesmo com autocrítica saudável, se não houver disposição sincera para reconhecer as próprias características, trabalhando aquelas em que se percebe desequilibrado ou confuso, limitado ou incômodo.
Num transe mediúnico, o médium entra em contato profundo com muito do que as entidades sentem e pensam, e precisa estar seguro do que ele próprio pensa e sente, para não se deixar confundir ou mesmo enganar nos trabalhos que irá fazer.
Não se trata apenas de vigilância, ou de apenas observar, mas de reconhecer o que se pensa e sente, porque isso acontece, o que isso nos causa, em que circunstâncias acontece, etc.
Também não se trata de moralismo, de acomodar atitudes ao que outros determinaram ser a melhor conduta, de seguir preceitos morais religiosos, mas de consultar a própria consciência em busca da verdade sobre si mesmo, em busca da essência do ser, em busca daquilo que realmente identifica cada um de nós, independentemente de rótulos, crenças, conceitos filosóficos, etc.
Quando um médium se conhece, ele não teme o contato com outras mentes, pois está seguro do que está dentro dele e não será facilmente desviado, desequilibrado ou enganado. Quando ele não se conhece, no entanto, fica perdido em meio ao fluxo de sentimentos, emoções e pensamentos que lhe chegam e pode ver-se perturbado tentando separar o que percebe, ou questionando-se sobre o que está acontecendo com ele.
O estudo e o exercício da mediunidade, portanto, exigem autoconsciência, auto-análise, autocrítica, observação constante de si mesmo, não como juiz ou carrasco, mas como testemunha lúcida e fiel do que se passa interiormente, pronta para atuar naquilo que for necessário para melhorar-se, quando solicitada.
Mediunidade é meio de comunicação. E toda comunicação fica muito prejudicada quando há ruído, quando o sinal não é forte, quando o meio que a transmite não consegue ser fiel, imparcial e ético na sua função. O médium que cuida de manter isolados, embora não escondidos ou anulados, seus conteúdos, mantém limpos e calibrados os seus canais de comunicação, garantindo recepções e transmissões de qualidade, tanto para ele quanto para quem se comunica através dele.
Mediunidade é intercâmbio de idéias, sentimentos, pensamentos, emoções e sensações e, quando está ciente disso e de seus próprios conteúdos, o médium consegue não só receber informações e orientações importantes para si mesmo e os que o acompanham, como também pode colaborar com os seus próprios conteúdos, conhecimentos e experiências, ajudando àqueles que o buscam para a comunicação, fazendo da mediunidade uma troca rica e construtiva.
Mediunidade é serviço de integração de dois mundos - ou, quem sabe, mais até - que funcionam de forma diferenciada, em diferentes freqüências, com diferentes características e peculiariedades. E o médium que sabe disso e procura conhecer bem essas diferenças, bem como as semelhanças que existem, consegue acompanhar todo fenômeno de forma lúcida e com grande discernimento, sem se deixar afetar negativamente por aquilo que lhe chega.
Mediunidade é oportunidade de trabalhar pelos outros, mas, antes de tudo, por si mesmo, estudando-se e aplicando aquilo que aprende nas comunicações em sua própria vida.

 Por Maisa Intelisano

Uma flor, quando desabrocha, jogando suas pétalas para além de si mesma, emana luz e perfume em todas as direções. Neste exercício de expansão, ela cumpre sua tarefa, levando cor e alegria a muitas criaturas, enfeitando o mundo e convidando todos ao agradecimento a Deus, o criador de toda essa beleza. Porém, em toda sua pureza, ela também se expõe, com toda sua fragilidade, a toda as intempéries do universo, a todas as agressões da própria natureza, seu berço e sua morada, sua origem e seu destino.

Ainda assim, sem medo, ela se ergue em busca de luz e calor, e se deixa sacudir pelo ar que se move à sua volta, ou queimar pelo sol que arde no topo do céu, ou surrar pela chuva que despenca pesada das nuvens.

Sem hesitar, ela se doa, completa e irrestritamente, ao mundo e aos seres, cumprindo a missão para a qual foi criada. E, nessa jornada, ela acaba também por murchar, secar e morrer, apagando seu brilho no mundo das formas, para espalhar sua essência no mundo mais sutil, consciente de que, cumprida a missão, ela mais nada tem a fazer aqui.

Sua existência, neste plano, é efêmera e transitória, mas ela não se importa e se entrega, de corpo e alma, ao seu destino, na certeza instintiva de que continuará vivendo e existindo em outras instâncias, mais puras, mais sutis.

Ela sabe que sua presença nesse plano não é eterna e, talvez, por isso mesmo, ela aproveita ao máximo este momento, explodindo em vitalidade, consumindo-se em sua própria alegria de viver e existir no universo de Deus, entregando-se completamente àquilo que justifica sua existência e que, ao mesmo tempo, a destruirá, mas a fará eternamente feliz.

Todo serviço que se presta ao outro é como uma flor de luz no jardim espiritual da humanidade. E exatamente como uma flor, cresce, abre-se, expande-se e projeta-se para além de si mesmo, levando luz e perfume espiritual, como consolo, esclarecimento, esperança e amor a muitas consciências que gravitam inconscientes em torno do ilusório mundo das formas, sem se dar conta da real finalidade de sua própria existência.

Mas, também como uma flor, ao cumprir seu objetivo, ele também se expõe às agressões do meio em que está plantado, às intempéries emocionais e energéticas geradas pelas mentes desequilibradas que se sentem atraídas por sua luz ou por aquelas que se julgam lesadas por ela, sofrendo com esta ação.

Como a flor, ele também se desgasta, murcha e morre para o meio em que nasceu. Sua existência também é efêmera e transitória. Ele também não é eterno. Nada é para sempre.

Por isso, é importante que, como a flor bela e delicada, todo aquele que presta um serviço de ajuda ao próximo tenha consciência da transitoriedade de seu trabalho, de sua fragilidade, de sua sensibilidade ao meio em que existe e no qual atua.

É preciso que saiba que, por mais tempo que resista, sua existência é limitada e representa apenas uma faísca em todo o contexto da criação. Uma faísca importante naquele momento, mas apenas uma faísca.

É preciso que esteja consciente dessa transitoriedade e não se prenda ao seu funcionamento ou à sua existência, pois ele existe para mudar as pessoas e, quando as pessoas mudarem, ele não mais será necessário e deixará de existir para dar lugar a outras formas de serviço, a outros tipo de trabalho.

É necessário que esteja alerta para o momento que, mesmo fugaz, tem sua beleza e seu valor para o universo, e ficará registrado indelevelmente na mente do universo, mas não no coração dos seres humanos.

A humanidade precisa e vai mudar. Este é o seu destino. E com ela, mudarão os serviços que se devem prestar a ela. Que aqueles que prestam estes serviços não se entristeçam quando seu trabalho não for mais necessário, pois este será um motivo de alegria, não de tristeza.

A cada degrau galgado, novas necessidades surgirão e novas fronteiras deverão ser traçadas, novos limites deverão ser ultrapassados, novas propostas deverão ser feitas, para que outros degraus sejam galgados e todos possamos continuar a caminhar.

A cada flor que morre, um fruto nasce e, dentro dele, novas sementes, promessas de vida, surgem, trazendo a renovação, justamente o cumprimento da promessa de que a flor continuará existindo, ainda que não em sua forma original.

A flor se desintegra, as energias que dão forma à sua estrutura física se desagregam para se reorganizar em outras formas de vida, para que a sua própria espécie continue. E nesse processo, ela não hesita um segundo, ela não vacila, ela não pensa, ela não deixa de se entregar em um átomo sequer, instintivamente.

A cada serviço ao próximo que se deixa para trás, outro surge mais adiante, mostrando que a renovação continua, que estamos todos caminhando, que não estamos parados e que continuamos todos precisando uns dos outros, uns dos serviços dos outros, uns das mãos dos outros.

Um desaparecimento nunca é o fim de algo que existe, mas o começo de algo que deve existir logo a seguir. É só uma questão de deixar de olhar para trás e passar a olhar para frente, fixando o caminho a ser percorrido.

Nada, na verdade, desaparece ou se desfaz, apenas se desintegra, reorganiza e recicla para ressurgir, mais adiante, em algo novo, a serviço das necessidades do momento que se vive.

Por Maísa Intelisano

 

"Não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana."
Pierre Teilhard de Chardin

Com esse conceito em mente torna-se mais fácil compreender tudo o que a maioria das tradições espiritualistas explica a respeito do sono e dos sonhos.

Mesmo estando ligado a um corpo físico denso e pesado, o espírito jamais perde sua característica principal: é sempre um espírito. A condição de encarnado é apenas passageira e muda várias vezes durante a sua evolução espiritual. A condição verdadeira, definitiva e permanente é só a espiritual. A física ou humana é apenas temporária e circunstancial. Assim, mesmo quando encarnado, o espírito mantém suas capacidades espirituais, ainda que limitadas e parcialmente adormecidas em função da ligação com um corpo físico.

O sono nada mais é do que um retorno temporário e parcial ao mundo espiritual. Quando o corpo físico adormece e a sua atividade metabólica diminui bastante por causa do sono, o espírito é quase que automaticamente jogado para fora do corpo físico, podendo se movimentar livremente sem o peso desse corpo. Como se trata de um espírito encarnado, há um elo que o mantém ligado ao seu corpo, elo esse conhecido como cordão de prata pelas tradições espiritualistas orientais.

Durante o sono, a atividade cerebral diminui bastante, fazendo com o que o indivíduo entre em estados alterados de consciência, os quais propiciam a soltura do espírito do corpo físico. Durante esse desligamento temporário do espírito, também conhecido como projeção da consciência ou viagem astral, ele pode se movimentar com relativa facilidade no mundo astral recuperando, inclusive, grande parte de suas capacidades psíquicas como a clarividência, a clariaudiência, a precognição, etc.

Como o espírito não se encontra limitado pelo peso e densidade do corpo físico, ele amplia seus sentidos, podendo entender e perceber melhor tudo o que se passa à sua volta. Desse modo, não só as coisas materiais ganham nova perspectiva para ele, como também as próprias dimensões espaço-tempo deixam de existir, permitindo-lhe ver cenas do passado e/ou outros lugares do mundo ou do univeso, como também pressentir, com alguma exatidão, acontecimentos futuros.

Durante esses passeios espirituais, o espírito pode desenvolver várias atividades que refletem em gênero e qualidade as características morais, intelectuais e espirituais do indivíduo.

Assim, durante o sono do corpo físico um espírito pode encontrar outros espíritos, desencarnados ou encarnados, também em horário de sono e desprendidos de seu corpo físico; pode participar de cursos, palestras, trabalhos e eventos no plano astral; pode atuar em assistências, socorros e orientações de todos os tipos, etc. Mas ele pode, também, de acordo com suas próprias preferências, ser vítima de orgias, sessões de consumo de drogas, assaltos energéticos, brigas, discussões, ataques, etc. Tudo dependerá apenas da lei das afinidades que garante que atraímos situações, pessoas e fatos que têm afinidade com as nossas próprias criações interiores.

Vemos, assim, que muitos dos nossos sonhos e pesadelos são, na verdade, uma lembrança fragmentada e distorcida de eventos vividos no mundo espiritual durante o desprendimento natural do sono comum de todos os dias. Muito embora essas lembranças pareçam desconexas e absurdas, muitas delas são bastante verdadeiras e, se não entendidas conscientemente, podem ser compreendidas inconscientemente, vindo a trazer benefícios ou malefícios para o espírito em sua vida material, dependendo de seu conteúdo e da carga emocional e energética que proporcionaram.

No entanto, nem todas as lembranças que trazemos do nosso sono estão relacionadas às nossas experiências de emancipação espiritual. Há também o que se chama de sonho fisiológico, que se caracteriza pela criação mental de situações e imagens relacionadas a preocupações ou assuntos cotidianos, profundamente enraizados na mente do encarnado durante o seu estado de vigília. Nesses casos o cérebro encontra-se tão sobrecarregado com os próprios pensamentos e preocupações que cria todo um contexto onde esses mesmos assuntos possam continuar a ser vividos.

Esse tipo de sonho nada tem a ver com os passeios espirituais. Na verdade, nesses casos, o espírito, na maioria das vezes, nem sai nem de perto de seu corpo. Ele adormece também e flutua ligeiramente acima de onde o corpo físico está descansando, permanecendo assim durante longo tempo. Continua...Parte 2

 

O espírito, em verdade, não precisa do descanso do sono. Quem precisa se revigorar e recuperar as energias é o corpo físico, por isso sentimos sono e necessidade de dormir em períodos regulares. No entanto, o sono físico é aproveitado pelo espírito para dar uma pausa à mente, relaxando ao mesmo tempo das tensões que a vida material lhe impõe. Assim, como a própria psicologia já conseguiu determinar, o sono seria uma válvula de escape emocional para que a nossa mente tenha condição de se reorganizar para enfrentar os problemas do dia-a-dia.
O que a psicologia ainda não percebeu, ou admitiu, é que a mente descansa porque o espírito retorna temporariamente ao seu mundo de origem, revendo amigos, recebendo orientação de consciências de luz, sendo tratado de problemas energéticos que podem ou não já ter se manifestado no físico, recebendo esclarecimentos para suas dúvidas e problemas, recebendo conforto nos momentos difíceis de sua vida, acessando conteúdos espirituais inconscientes, fazendo trocas energéticas mais sutis, alcançando maior clareza mental, etc.
Daí a importância de mantermos pensamentos saudáveis e elevados no momento de adormecer, de modo que nosso espírito possa ser conduzido por esses pensamentos a lugares, pessoas e situações que possam nos trazer experiências boas e positivas.
Nessas viagens muitas coisas acontecem, mas só uma parte delas pode ser registrada e arquivada pelo cérebro. É por essa razão que as imagens dos nossos sonhos são freqüentemente confusas e desconexas.
Como tudo o que acontece no mundo astral é bastante incoerente do ponto de vista material, o cérebro se recusa a aceitar a informação recebida e tenta conformá-la ao que já está condicionado a aceitar como real e verdadeiro. Com essa mistura de imagens e sons, o próprio cérebro boicota nossas lembranças e dificulta o resgate delas para uso quando em vigília.
Além disso, muito do que acontece no plano espiritual durante o sono diz respeito somente à nossa vida como espíritos, não sendo necessária a lembrança no mundo físico. Eis porque até mesmo nossos amigos espirituais acabam patrocinando o esquecimento de grande parte do que é visto, falado, ouvido e sentido durante o sono.
No caso do sonambulismo, temos o corpo reagindo ao que o espírito está vivendo no mundo espiritual. Por isso, em geral, o que um sonâmbulo diz ou faz nada tem a ver com sua realidade física atual. Como o que ele está fazendo no mundo astral exigiria a participação mais direta do corpo físico, ele tenta usá-lo à distância, provocando os movimentos reflexos e a fala relativa ao que está fazendo. No entanto, não é o seu cérebro físico que está comandando os movimentos, mas a sua mente, cuja sede está no espírito que está à distância, em situação completamente diversa da que seu corpo físico vivencia no mesmo momento. Em geral, pessoas que apresentam sonambulismo muito acentuado acabam manifestando mediunidade ostensiva em algum ponto de sua vida, justamente pela facilidade que têm de permitir que seu corpo seja comandado à distância.
Importante observar que não só o sono como todas as condições físicas que impliquem em diminuição da atividade metabólica como um todo ou do sistema nervoso central podem propiciar o desprendimento do espírito de seu corpo físico. Assim, doenças graves de longa duração, abatimento físico ou emocional muito profundo, uso de drogas, álcool, anestesias, hipnose, magnetização, choques ou traumas emocionais violentos, coma, etc. Em todos esses casos é possível uma diminuição acentuada do metabolismo físico e cerebral, o que pode provocar a liberação momentânea do espírito. O que varia, no entanto, é a qualidade da experiência, já que alguns desses fatores não podem ser considerados naturais e outros provocam condições não tão saudáveis.
Em alguns casos podemos ter também estados de letargia ou catalepsia, que se caracterizam pela interrupção parcial ou total da sensibilidade e capacidade motora do corpo. Nesses casos o espírito permanece consciente, mas impossibilitado de se comunicar, já que o corpo encontra-se travado por não estar ainda totalmente religado ao espírito. No entanto, como está consciente, o espírito percebe tudo o que ocorre ao seu redor e pode, ao retornar, relatar tudo o que viu, ouviu e sentiu.
Seja como for, a emancipação espiritual é uma capacidade natural de todo ser humano encarnado e deve ser encarada de forma tranqüila, sem misticismo, medo ou superstição.

FIM

***Para saber mais sobre o assunto

Instituto de Pesquisas Projeciologicas e Bioenergeticas